Delegações denunciam a Vale por problemas na área social e ambiental
Da Redação em 14 abril, 2010
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Delegações do Chile, de Moçambique, do Canadá, da Argentina e de vários países onde a mineradora Vale mantém atividades estão reunidas no Rio de Janeiro para denunciar crimes ambientais e violação de direitos trabalhistas pela empresa. Eles participam do 1º Encontro Mundial de Afetados pela Vale.
De acordo com o secretário nacional executivo da organização não governamental Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Dirceu Travesso, na próxima quinta-feira (15/04) será divulgado um documento, na Assembleia Legislativa do Rio, com propostas para a continuidade da luta contra as agressões cometidas pela Vale, na esfera ambiental e social.
Dirceu Travesso afirmou que a atividade da mineradora, em função da lucratividade, resulta em redução de direitos, aumento de mortes e de acidentes de trabalho, lesões por esforço repetitivo devido ao aumento da produtividade, “atingindo as comunidades de maneira brutal”. Questionada sobre as denúncias, a Vale reiterou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não fará nenhum comentário a respeito nem responderá às acusações.
Na avaliação do secretário nacional da Conlutas, vários desastres naturais que têm ocorrido no Brasil estão associados a mudanças ambientais provocadas por atividades como a mineração. “As consequências vêm não só para quem está diretamente envolvido com a atividade produtiva ou com a comunidade perto de uma mina, mas, de maneira global, com tudo que altera e atinge a vida das pessoas.”
Travesso afirmou que o encontro foi aberto à participação de representantes da Vale. A companhia, segundo ele, não mostrou receptividade ao convite. Mesmo assim, a empresa será comunicada dos resultados do evento. “A postura da Vale hoje não é de diálogo.”
Funcionários da Vale Inco, adquirida pela Vale no Canadá, informaram que estão em greve há nove meses. “E a Vale se nega a negociar”, comentou Travesso. Para o secretário nacional da Conlutas, o que importa à Vale é “garantir a lucratividade dos seus grandes acionistas, dos seus executivos, que recebem bônus milionários, e não dá ouvidos para trabalhadores, para comunidades nem para os movimentos sociais”.
Denúncias
“A ideia é o fortalecimento dos grupos, que têm enfrentado conflitos muito sérios em vários países e que aqui, no Brasil, obviamente, não são divulgados”, afirmou uma das organizadoras, Ana Garcia, do Instituto Rosa Luxemburgo. Ela explicou que as lideranças devem formar uma articulação para questionar as ações da empresa, inclusive, em organismos internacionais.
Ao longo da semana, os participantes vão apresentar relatos colhidos durante as caravanas e nos países de origem. Nas cidades mineiras de Itabira e Congonhas e nas cidades de Paraupebas e Barcarena, no Pará, há casos de funcionários da Vale com problemas de saúde, demissões arbitrárias, acidentes em minas e desrespeitos a direitos trabalhistas, semelhantes a situações registradas no Canadá, onde funcionários da empresa estão em greve há meses, segundo os sindicalistas.
“A Vale lucra muito no Canadá e mesmo assim tenta rebaixar direitos de aposentadoria e remuneração. Jamais tivemos uma experiência de tanto desrespeito e agressividade”, afirma, em nota, Jamie West, do Sindicato dos Trabalhadores Siderúrgicos (USW, sigla em inglês).
Em relação aos impactos ao meio ambiente, os manifestantes destacam a poluição das águas com produtos químicos, intervenção em aquíferos, emissão de dióxido de carbono, desvio de rios, rebaixamento de lençol freático, desmatamento, além de impactos para pequenas comunidades, com remoções forçadas, com a poeira do minério e a destruição de monumentos naturais.
Outra denúncia trata do uso de milícias armadas para coagir trabalhadores e líderes comunitários no Peru, em Conceição do Mato Dentro (MG) e no Rio, onde a construção da CSA estaria impedindo atividades tradicionais como a pesca e a agricultura. “Fomos surpreendidos quando vimos que a Vale contratou criminosos e ex-terroristas como seguranças nas minas”, disse José Lezma, camponês do Peru e integrante da Frente de Defesa da Bacia do Rio Cajamarquino.
Também participam do encontro internacional sindicatos e representantes de Moçambique, da Argentina, Indonésia e do Arquipélago de Nova Caledônia, na Melanésia.
O encontro prossegue nesta quarta-feira (14/04), com a realização de oficinas e debates fechados à imprensa. Procurada, a Vale informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar. Com informações da Agência Brasil.




