Economia verde inovando os mercados
Da Redação em 27 novembro, 2011
Tuite
Artigo de Patrick Johann Schindler.
Os séculos 20 e 21 foram decisivos para a sociedade como um todo perceber que o vigente paradigma desenvolvimentista estava em rota de colisão com a preservação do meio ambiente e com o “bem estar” do planeta. Tomando como princípio de que tudo está interconectado, a tão famosa lei da ação e reação de Newton e os atuais desastres naturais que assolam milhares de seres humanos em várias partes distintas do mundo demonstram que estamos sofrendo as consequências negativas de atos praticados contra a própria natureza.
Tendo em vista a real necessidade de uma metamorfose na interação homem – natureza, surge o conceito de Green Economy. Trata-se de um termo que trás consigo um conjunto de valores e atitudes cujos objetivos são conciliar o que aparentemente é antagônico: preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
O vigente sistema produtivo capitalista, baseado na destruição criativa schumpeteriana, alimentado pela intensa propaganda, induzindo os seres humanos a serem considerados apenas como consumidores e não como cidadãos (sujeitos de direitos e obrigações) são as raízes dos problemas ambientais da contemporaneidade. O exaurimento de recursos naturais finitos, a geração imensurável de resíduos sólidos (lixo) ocasionando poluição pela falta de tratamento adequado, o lançamento de gases de efeito estufa contribuindo para a retenção destes, causando o aquecimento do planeta e desencadeando as mudanças climáticas, as quais acarretam desigualdades sociais e maior grau de pobreza em países vulneráveis, devem ser combatidos eficazmente.
A importância da compreensão que o meio ambiente é ao mesmo tempo a fonte de recursos naturais que se transformam em insumos e também o espaço de absorção dos resíduos industriais é fundamental para o entendimento da problemática ambiental e a necessidade de uma urgente transição do atual sistema produtor para uma economia sustentável. As economias mundiais usam energia em abundância e liberam energiaem abundância. Aceitaros limites físicos do planeta do ponto de vista da extração e absorção destas energias é imprescindível.
Entender a dinâmica deste sistema nos ajuda a buscar alternativas viáveis para a transição tão necessária à perpetuidade do meio ambiente. A solução requer mudanças na esfera social e nos padrões tecnológicos. A análise dos problemas ambientais não é uma questão concluída, mas um processoem curso. Cadapaís possui suas próprias especificidades no que tange aos fatores que geram degradação ambiental. Os extremos: pobreza e riqueza possuem sua parcela de culpa no desencadeamento da degradação ambiental.
O ponto de partida é substituir a cultura do consumismo e utilizar tecnologias capazes de reduzir os danos ambientais inerentes à produção de bens de consumo e serviços. As mudanças necessárias devem ocorrer nos setores de agricultura, energia, transporte, turismo, edificações, educação, propaganda e marketing, madeireiro, entre outros. O uso eficiente e consciente dos recursos, a destinação adequada ao lixo produzido, a reciclagem, o reuso, a compostagem, devem fazer parte da vida diária dos cidadãos.
A sustentabilidade visa a continuidade do funcionamento dos sistemas ambientais para suprir as necessidades das atuais gerações e das vindouras. O Green Economy tem por objetivo o uso racional, justo e eqüitativo de recursos naturais e a propagação de trabalhos dignos em condições salubres. Erradicar mecanismos abusivos de exploração da mãe de obra humana na fabricação de mercadorias como ocorre no sudeste asiático, onde grandes empresas produzem seus bens de consumo na ausência de conceitos éticos vinculados ao trabalho terão de ser substituídos por uma política trabalhista não abusiva.
Portanto, para que o Green Economy ganhe força, é necessário que os seres humanos sofram uma inversão de valores. Sair do individualismo que beira o egoísmo é condição sine qua non para que as pessoas enxerguem as outras e consigam respeita-las. Vivemos em coletividade com outros seres vivos e precisamos criar o equilíbrio certo nas nossas atitudes, pois sabemos que nosso comportamento interfere na vida do sistema. Outro aspecto relevante é a maneira com a qual enxergamos a natureza. Como a vemos, é como iremos tratá-la. A natureza não pode ser vista apenas como fonte de elementos necessários à satisfação do ser humano, mas como um sistema vivo multifuncional, da qual fazemos parte juntamente com outros seres vivos (fauna e flora).
Uma economia verde não se baseia apenas em uma economia de baixo carbono, e sim numa série de propostas de reforma nas atividades humanas. Neste conjunto de sugestões, estão inseridos empregos verdes, transportes verdes, agricultura verde, energia verde, materiais verdes, zero lixo e zero desperdício. Até a construção de cidades totalmente sustentáveis estãoem evidência. Aotimização dos recursos naturais renováveis como água, vento e sol estão sendo utilizadas para que a intensa dependência de fontes fósseis seja reduzida. Gás de aterros, óleo de cozinha e até mesmo esterco de animais são substitutos eficazes das tradicionais e poluidoras fontes energéticas. A questão chave no uso de energias renováveis é diminuir ou eliminar a liberação de gases de efeito estufa, principalmente o CO2. Outro motivo é que as energias renováveis como vento, sol e água são fontes seguras e duradouros de suprimento de energia e não pioram a poluição atual.
Um Estado que possui muita luminosidade, pode se apropriar deste bem natural, que no jargão jurídico chama-se bem difuso, e, através de uma arquitetura baseada em construções sustentáveis, usufruir ao máximo este bem, evitando que as pessoas consumam mais energia ao deixarem as luzes acesas.
Os painéis fotovoltaicos são a expressão máxima do uso dos recursos solares para geração de energia elétrica. Países que possuem grande área territorial e que possuem muita luz, como o Brasil, EUA e Índia podem fazer uso da energia oriunda do sol em localidades mais distantes dos centros de produção energética e contribuir para diminuir a demanda energética destes e a perda de energia que ocorre na transmissão.
Países tropicais como o Brasil, que possuem grande área territorial, podem investir na produção de álcool combustível, extraído da cana de açúcar. A finalidade é reduzir a dependência do petróleo diminuir as emissões de CO2.
O vento também pode ser usufruído, já que é abundante em muitas regiões do planeta. Apesar de o vento variar de acordo com as estações do ano, ele é uma boa opção, já que é uma fonte inesgotável de energia. Alguns países já o utilizam em sua matriz energética, tais como: Alemanha, Dinamarca, EUA e outros apresentam grande potencial de uso, como o Brasil.
A captação e armazenamento da água pluvial em prédios e casas é outro método utilizado para reduzir a demanda de água proveniente das bacias hidrográficas. Tal recurso, capturado nos períodos de chuva, podem ser utilizados nas privadas para dar descarga, para regar o jardim ou horta, lavar o quintal, etc.
A utilização do vertical farming ou agricultura vertical em países que possuem pouco espaço territorial cultivável como o Japão, fazem uso deste método inovador que permite a plantação de vários tipos de vegetais numa plataforma vertical que reduz a necessidade de grandes extensões de terra plana. Além disso, este novo tipo de agricultura pode ser implementado em grandes cidades, melhorando a logística de distribuição, evitando que frutas e legumes sejam trazidos de longe, gerando poluição em decorrência do transporte dos mesmos.
A logística reversa é outra atitude que está ganhando força no mercado. Os produtos industrializados, após a sua vida útil são levados de volta às empresas que as produziram para que certas peças possam ser reutilizadas, recicladas e descartadas de maneira adequada, sempre minimizando os impactos tão negativos do descarte inadequado.
De acordo com os exemplos acima citados, cada país deve buscar meios de potencializar o uso de recursos naturais renováveis para gerar oportunidades de crescimento e desenvolvimento pautadas na sustentabilidade.
Por ser o próprio ser humano o fator chave do desencadeamento dos problemas ambientais nos seus diversos níveis, será ele mesmo o responsável para solucionar tais questões através de tecnologias que viabilizem a existência de uma economia sustentável. Como visto neste artigo, estamos caminhando para a almejada transição que fará o planeta ter chances de perdurar por muito mais tempo.
Patrick Johann Schindler, gestor ambiental.
(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)




