Brasil e pré-sal na contramão da história, diz Goldemberg
Da Redação em 27 janeiro, 2010
Tuite
O presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, afirma que a esperança de que o pré-sal gere desenvolvimento é contraditória com o uso de energia limpa. Para ele, não há como conciliar as duas realidades. O Brasil está correndo risco de andar na contramão da história
Além de presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg é membro da Academia Internacional do Meio Ambiente em Genebra.
Para Goldemberg, a COP15, Reunião do Clima ocorrida na Dinamarca, terminou com um acordo costurado às pressas para evitar um fracasso total, e agora o Brasil, um dos países que assinou esse tratado, aprovou uma lei controversa que reafirma o compromisso de reduzir as emissões de CO2 entre 36,1% e 38,9% até 2020.
A lei aprovada com os três vetos impostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei de Mudanças Climáticas não parece passar de um plano com diretrizes gerais e está longe de ser, verdadeiramente, um marco regulatório sobre o assunto, na avaliação de Goldemberg.
Fecomercio: Qual a opinião do senhor sobre a lei de Mudanças Climáticas?
José Goldemberg: Um dos problemas sérios é que a lei diz que é voluntária e acaba ficando dúvida sobre o que significa ser voluntária. Na linguagem da lei, a decisão voluntária significa que as pessoas só vão reduzir a emissão de poluentes voluntariamente. Esse aspecto é muito ruim, já que não é da natureza da legislação brasileira ter lei voluntária. No país ou tem lei ou não tem.
Fecomercio: Entre os pontos mais polêmicos da lei de Mudanças Climáticas está o veto ao “abandono paulatino dos combustíveis fósseis”. No momento atual, quando muitos países procuram outras soluções energéticas, tais como carros elétricos ou o próprio etanol brasileiro, não lhe parece que o Brasil deposita muita esperança no pré-sal?
José Goldemberg: O “abandono paulatino dos combustíveis fósseis” foi naturalmente vetado por causa do pré-sal. Com isso, enquanto outros países estão no caminho de reduzir os combustíveis fósseis, o Brasil está correndo risco de andar na contramão da história. A China, por exemplo, está expandindo muito rapidamente a produção de redes elétricas – usando energia eólica e solar – e comprometendo-se a abandonar o carvão (poluente), que é sua principal fonte de energia.
Fecomercio: Claro que se espera que o pré-sal gere empregos e desenvolvimento para o País, mas os investimentos nesse setor não são, de alguma forma, contraditórios com os estímulos ao uso de energia limpa e renovável? Como poderíamos conciliar as duas realidades?
Goldemberg: A esperança de que o pré-sal gere empregos e desenvolvimento para o país é contraditória com os estímulos ao uso de energia limpa e renovável e não há como conciliar as duas realidades. A única alternativa é exportar o petróleo do pré-sal, apesar de que a própria exploração da camada pré-sal já gera gases poluentes.
Fecomercio: São Paulo foi o primeiro Estado a aprovar uma lei própria sobre as mudanças climáticas. Ela prevê uma redução de 20% na quantidade de gases de efeito estufa emitidos em 2020, se comparado a 2005. Alguns dos principais problemas no Estado são: a poluição causada pelos veículos na capital e a queima da palha da cana-de-açúcar, que é produzida em larga escala no interior. Como o senhor vê esse cenário e qual a importância de programas governamentais, como o de inspeção veicular ambiental?
Goldemberg: É importantíssimo que o programa de inspeção veicular continue em São Paulo. Os consumidores devem levar a sério essa inspeção. Já quanto à cana-de-açúcar, é um problema que está sendo resolvido. Hoje, a colheita da cana, após a sua queimada, está sendo substituída pela colheita mecanizada, que colhe a cana crua e evita a emissão de gases poluentes. Dentro de quatro anos, a queima da cana e da palha da cana-de-açúcar será totalmente eliminada.
Fecomercio: O Governo Federal pretende publicar um decreto que especificará a contribuição de cada setor da economia no corte de emissões de poluentes. Como o comércio poderia contribuir para a redução das emissões?
Goldemberg: Acho muito positiva a definição de redução para cada setor. No lado do comércio, é preciso conscientização. Grandes redes de supermercados, como Pão de Açúcar e Wal-Mart, por exemplo, deixaram de comprar carne que tenham origem em área de desmatamento.
Fecomercio: A Copa de 2014 e as Olimpíadas em 2016 vão gerar grandes investimentos, além de consumo de recursos como água, combustível e eletricidade. Como as empresas devem se preparar para crescer sem agredir o meio ambiente?
Goldemberg: A Copa e as Olimpíadas são um problema sério. Durante esses jogos vão aumentar o consumo e a vulnerabilidade do setor elétrico. Para que isso não ocorra é preciso mais produção de energia por meios que não dependam das mudanças climáticas. Os preparativos para a Copa estão devagar é isso é preocupante. Imagine um apagão durante a disputa dos jogos principais.
Com informações da Assessoria da Fecomercio.





Benedito Elói de Freitas, 1 ano atrás
Assim como as autoridades deveriam pensar na compostagem do lixo doméstico e do lixo industrial, o esgoto, tratamento final e definitivo sem agredir o meio ambiente, além deles, temos que pensar mais ainda a queima do monóxido de carbono na atmosfera, que causa o efeito estufa, agredindo a camada de ozônio, gerando o “El-Niño”, o derretimento das calotas de gelo dos polos e conssequentemente o “Cataclisma-Final”!