É preciso ser mais rápido
Da Redação em 15 janeiro, 2010
Tuite
Artigo de José Renato Nalini.
O oba-oba de Copenhague não surtirá efeitos concretos. O Brasil levou 800 pessoas para esse turismo ecológico do qual resultarão promessas ambíguas. Enquanto isso, a natureza se vinga fazendo com que o clima seja caótico, inexplicável e surpreendente. Mais chuvas localizadas e violentas. Ciclones e furacões. O mar recupera aquilo que lhe foi furtado.
O que poderia ser feito para serenar o Planeta? Enquanto a responsabilidade dos poderosos não se vir forçada a reagir, o que adviria de uma conscientização lúcida e coerente da cidadania, cada qual pode fazer algo para ao menos atenuar o ritmo da escalada catastrófica.
Por exemplo: reflorestar áreas degradadas. Existe melhor homenagem a uma pessoa que se devotou a alguma causa, mesmo não tenha sido ela a ecologia, do que formar um bosque em sua memória? Por que não se planta uma árvore a cada criança que nasce e outra a cada pessoa que deixa este mundo?
Agora mesmo, com essa volúpia dos cartões de Natal, por que as empresas não destinam essa verba para o reflorestamento? Bastaria um comunicado por e-mail para os destinatários desses cartões que acabarão no lixo, comunicando a opção duplamente ambientalista: não se destrói árvore para confeccionar cartões e envelopes e se planta mais árvore para oxigenar o mundo.
No Japão, onde o problema ecológico é muito mais grave – ilha vulcânica desprovida de terra e, portanto, de vegetação suficiente – a praxe de homenagear os antepassados com a formação de bosques e florestas é rotineira. Essa a verdadeira contribuição que a lembrança de alguém que passou por esta Terra poderia deixar. Os beneficiados com a renovação do oxigênio se sentiriam gratos à figura inspiradora desse gesto. E lá do etéreo, o homenageado teria reais motivos para se orgulhar de sua descendência.
Só que isso é urgente, pessoal! O ritmo da devastação é alucinante. O da regeneração é quase estático. Vamos fazer algo enquanto ainda há tempo. Não esperemos da política, essa via que foi idealizada para servir à comunidade, mas que muitos confundem com a mais rápida forma de se atender – exclusivamente – aos próprios e egoísticos propósitos.
José Renato Nalini, desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium.
(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)





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CARLOS ROBERTO FATTORI, 2 anos atrás
Os comentários do Des. Nalini represetam a mais pura realidade do que vivemos em matéria ambiental. Realmente, temos que ter pressa, pois o ritmo da devastação é, realmente, alucinante. Como exemplo, cito as construções à beira da estrada que liga Bertioga a São Sebasião, e que com certeza devastam a mata atlântica. Importante notar que a Prefeitura de São Sebastião, alheia à desvastação, colocou vários postos de contrôle de velocidade entre os bairos contruídos no caminho acima mencionado.
Como estas construções estão abaixo das montanhas, não é díficil imaginar que, nos meses em que ocorrem as chuvas de verão, todos estão correndo o risco de desmoronamento e, via de consequência, da ocorrência das catástrofes que estamos presenciando no mundo, TUDO EM RAZÃO DO TOTAL DESRESPEITO À NATUREZA. É a natureza dando o “troco” aos predadores.
Fattori