Lixo que não é lixo, é dinheiro

em 18 março, 2010


Artigo de João Paulo Maranhão.

 

Nas últimas semanas, batalhas acirradas vêm sendo travadas na cidade de Curitiba e Região Metropolitana, em virtude da necessidade de se conseguir uma nova área para a destinação do lixo produzido pela nossa população. É evidente que o aterro do Caximba já está, há muito tempo, com sua capacidade de estocagem e armazenamento esgotada, sendo que a manutenção desse local como aterro sanitário pode causar e causará até o mês de novembro de 2010 – data limite para fechamento do mesmo – diversos danos ao meio ambiente e à  saúde da população que reside na região.

 

Mas porque tanta discussão sobre esse assunto? Por que tantas medidas judiciais se não existem dúvidas de que outro local tem que ser escolhido? Por que tantos interesses particulares tentam se sobrepor aos interesses da coletividade, que tem como direitos fundamentais a saúde e o bem estar? A resposta para estas indagações é simples: atualmente o lixo é dinheiro. Não pensem que só porque o lixo é tido como algo que não presta, que é descartado, que ele não tem seu valor.

 

O que para a maioria da população é um mal, para alguns é um bem, ou melhor, uma mina de dinheiro inesgotável, na medida em que a tendência é a de que a cada dia que passa, mais lixo venha a ser produzido por nossa população que não pára de crescer, muito menos de consumir. Certo é também que dar a correta destinação ao lixo é medida necessária, sendo que não se tem mais dúvidas de que o Poder Público “prefere” delegar tal atribuição do que arcar com essa responsabilidade. Fala-se isso pois efetivamente são poucas as Prefeituras de nosso país que adotam políticas públicas específicas para o lixo, não sendo Curitiba uma delas.

 

A perpetuação da manutenção de aterros sanitários como o do Caximba, constitui-se em um sério problema sanitário, pois tal tipo de armazenamento de lixo expõe as pessoas a várias doenças, tais como parasitoses, além de contaminar o solo, as águas e os lençóis freáticos. Tanto isso é verdade que por diversas vezes já se teve notícias dessa condição em relação ao aterro do Caximba, em especial no que se refere a destinação do chorume em águas fluviais de rios da nossa Região Metropolitana.

 

Novas tecnologias devem ser implementadas, adotando-se sistemas de reciclagem e queima de resíduos, tais como os utilizados em outras capitais de nosso país, abdicando-se a prática hoje utilizada em nossa Capital. O tempo urge, sendo que Prefeitura não pode continuar perpetuando brigas judiciais visando corrigir um procedimento licitatório que ao que tudo indica já nasceu fadado ao insucesso, pois como dito anteriormente, interesses econômico-financeiros de particulares querem ser tidos como mais importantes dos que os interesses da coletividade.

 

Soluções para a destinação do lixo, que não aquela pleiteada na licitação que agora se encontra suspensa, existem, sendo medida salutar que a Prefeitura adote outra visão em relação a este tema, pois se isso não ocorrer, é provável que o caos se instale quando da chegada do esgotamento do aterro do Caximba.

 

João Paulo Maranhão, advogado e sócio do Escritório Katzwinkel & Advogados Associados.

 

(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)

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3 Comentarios

  1. Lídia Silva Moreno, 1 ano atrás

    sabemos que nossa população é pouco informada a respeito de como tratar nosso lixo, e por esse motimo ainda não temos a separação consciente do lixo doméstico. seria interessante uma maior divulgação de como se deve ser feito a separação e cada município de responsabilizar em orientar como e quando será a coleta de seus devidos resíduos.acredito que assim as pessoas se mobilizem em fazer melhor a separação,pois, se sentirão motivadas a fazer um bem maior ao meio ambiente.

  2. Lucelio Costa gonçalves, 1 ano atrás

    O LIXO VALE MUITO DINHEIRO!

    Ao visitar a França, em particular uma pequena vila ao redor de Paris, encontrei FONETEY-AUX-ROSES, como todas as pequenas e grandes cidades da Europa, a limpeza é algo que de cara nos chama atenção. Como bom observador e ambientalista, fui saber que esta pequena “PETIT VILLE”, foi a primeira a reciclar o lixo da Europa e hoje serve de modelo para várias outras. Mas o que me chamou a atenção mesmo, foi saber que nesta pequena cidade, existe concorrência entre as empresas para comprar o lixo recolhido, ou melhor, elas pagam para retirarem o lixo, isto em uma concorrência pública, muito disputada. Logo, se uma ganha para retirar certos tipos de detritos, outra ganha para retira vidros, ou seja, em separados.

    Fica claro que existe uma conscientização total dos munícipes, que colabora integralmente para a reciclagem do lixo, os vidros, por exemplo, tem uma caixa coletora em quase todas as esquinas, frente aos supermercados enfim, onde é necessário ter. Esta caixa recebe as garrafas por um orifício e em seguidas são totalmente trituradas, ao completar-se, o caminhão da empresa vencedora para este tipo de “lixo” retira-o e, em seguida recoloca outro.
    Bem, em reunião com os LeVerts, na própria prefeitura (Merie), nos informaram que cada vez mais os custos com o lixo da vila lhes trazem lucros, e que, são os próprios moradores que ganham, baixam os valores dos impostos e com isso, a cidade se embeleza e a natureza agradece.

  3. jhgftyj, 7 mêss atrás

    Gostei muito do site, além de conscinetizar as pessoas de que o lixo, prejudica a saúde e que muitos municípios e pequenas cidades passam pela mesma coisa de que uma cidade mesmo sendo bonita, mas sendo suja,poluída, não adianta de nada. Que muitos lixões já estão lotados pela grande quantidade de lixo que todos os seres humanos produzem todos os dias, como todos os anos, devem ser abertos novos lixões. Se a população continuar poluindo do jeito que está sendo, e comendo sem fazer nada, ficaríamos que nem no filme infanril Wall-e, que mostra um robô que todos os dias ele passa com sua amiga barata rodeado de lixo.


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