Mais energia e menos aquecimento global: desafio do século XXI

em 17 fevereiro, 2010


Artigo de Roosevelt S. Fernandes.

Tendo como base inicial o artigo de Luis Cesar Stano – Gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras – é inevitável, face às demandas por energia, que as projeções apontem para demandas crescentes.

Segundo a Agência Internacional de Energia este crescimento será de 1,5% ao ano, 2007 a 2030 (40% no período), sendo que 2,3% para os países em desenvolvimento e 0,2% nos países desenvolvidos. Por exemplo, em 2007, o consumo de combustíveis de origem fóssil (não renováveis) – carvão, petróleo, e gás natural – representaram 81% da energia consumida no mundo.

Porém, tendo como premissa o dito “a natureza não reage às ações do homem; ela se vinga no momento oportuno” – nas duas últimas s décadas, despontaram evidências de que a temperatura média da superfície do planeta vem aumentando,  evidenciando, com certo grau de certeza, que este aquecimento anormal se correlaciona a intensificação do fenômeno denominado “Efeito Estufa”, decorrente do aumento da concentração na atmosfera de alguns gases, entre eles, o dióxido de carbono (C02).

Tal aquecimento da superfície do Planeta se mostrou capaz de provocar uma mudança global do clima, em condições de impactar as atividades humanas, o que obrigou os países a discutir e adotar medidas que impedissem que as mudanças climáticas fossem além de níveis predeterminados, além dos quais poderiam advir efeitos catastróficos.

O tema, hoje muito associado a polêmicas, o que nada contribui para a sua real compreensão pela sociedade, evidencia que são várias as informações sobre se há ou não o processo de aquecimento global, porém parece óbvio que a atmosfera da Terra está recebendo a contribuição de milhões de toneladas de gases de efeito estufa (produto da queima de combustíveis fósseis) que estavam armazenados dentro da Terra (na forma de combustíveis) e agora estão fazendo parte da nossa atmosfera, onde é de se esperar que a natureza esteja reagindo às novas condições.

Mas há quem argumente que o problema existe, mas não é do tamanho que alguns tentam apresentar, dando como exemplo que recentemente a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou como pandemia  a incidência do vírus  H1N1 (Gripe Suína), em todo o mundo, porém, para alguns, os resultados até hoje registrados da doença não mostram a plenitude dos efeitos esperados, o que pode levar a suspeita de que  alguns cientistas exageraram sobre a real gravidade do surto de gripe, como pode estar ocorrendo hoje com os efeitos das mudanças climáticas”.

No caso do Brasil, tendo em conta pesquisas já realizadas, observa-se que 79% dos entrevistados concordam em reduzir o crescimento e o emprego para proteger o meio ambiente, porém muito menos (48%) concordam em pagar preços mais altos pelos produtos ambientalmente mais favoráveis.

Em síntese, alguns cientistas são cautelosos em afirmar que as alterações de temperatura registradas no planeta são decorrentes das mudanças climáticas, entretanto, são praticamente unânimes em assegurar que o crescimento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera modifica o clima da Terra.

Deste cenário não otimista pode-se inferir que um dos maiores desafios do século XXI será o de conciliar o crescimento da oferta de energia sem que isso leve a tornar irreversível e danoso a ação do Efeito Estufa.

Roosevelt S. Fernandes, do Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA.

(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)

 

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