Mudanças climáticas: integração e participação no processo
Da Redação em 20 janeiro, 2010
Tuite
Será que o mundo ainda não compreendeu o que se passa com relação às questões ambientais? Grandes líderes chegaram à Copenhaguen cheios de discursos, mas poucas ações. O resultado destas negociações foi um verdadeiro fracasso que sentimos poucos dias depois, com uma sucessão de tragédias ambientais ocorridas.
A principal discussão no país escandinavo sede das reuniões – a Dinamarca – foi, a nosso ver, uma questão financeira. Não se dispensa uma discussão como essa, tendo em vista que o fator econômico influenciará muito na conservação ambiental; a questão chave foi a criação de um fundo para o financiamento que aplicar-se-ia a mecanismos a longo prazo, de incentivo aos países subdesenvolvidos para que conservem seus ambientes e invistam em energias sustentáveis.
Deixou-se de lado a criação de um instrumento jurídico vinculante que fizesse os países se comprometerem com o limite de reduções de poluentes na atmosfera. O que aconteceu ali foi uma promessa de empenho no sentido de que os países iriam nortear suas políticas de forma tal que o resultado final fosse o não aquecimento global de mais de 2° C. Em termos práticos, isso representa que, em alguns anos, a África abrigará mais de 55 milhões de pessoas passando fome.
Enquanto isso no Brasil, a falta de cumprimento da legislação ambiental e urbanística expõe famílias às áreas de risco – em locais que originalmente tinham suas vegetações preservadas, o que impedia o desabamento da terra; a supressão de mata ciliar ao redor dos rios, em descumprimento do Código Florestal, culmina em alagamentos de proporções jamais vistas, trazendo ainda mais sofrimento à população. Esse quadro não é único do Brasil: nos últimos anos, o mundo sofreu com cerca de 600 inundações.
Com o aumento do nível dos oceanos, o mundo deverá lidar com os chamados refugiados ou migrantes ambientais – aqueles que terão de deixar seu lar, sua cultura, sua história para trás – tendo em vista que suas residências e cidades serão invadidas pela água. Como exemplo, podemos citar os habitantes da ilha paradisíaca de Tuvalú: dois de cada dez habitantes já tiveram que abandonar seus lares, e para piorar o quadro, o país vizinho, a Austrália, proibiu que esses migrantes se estabelecessem lá. Além disso, essa população sempre viveu do pescado e com seu deslocamento, têm tido dificuldades de adaptação em novos empregos. Será que em breve Tuvalú será a nova Atlântida, submersa debaixo da água?
Questionamos: os tempos atuais, repletos de tecnologias e relações virtuais, tornaram as pessoas mais frias a ponto de não se sensibilizarem? Até quando assistiremos a estes cenários sem participarmos do processo?
O envolvimento é a peça chave para a solução deste problema: pequenas atitudes que aparentemente só fazem efeito a nível regional, se somadas, conseguem o resultado global.
Você cidadão: Recicla? Economiza água e energia? Promove a educação ambiental?Toma parte do processo?
Você político: Autoriza a criação de espaços ilegais? Promove a discussão sobre questões ambientais na cidade? Informa a população sobre programas ambientais? Informa a população e deixa-a participar do processo de criação de leis, decretos e autorizações que a influenciarão?
Você estudante: Cria projetos de pesquisa que visam à integração entre meio ambiente e sociedade? Promove estudos que projetem uma vida mais sustentável?
Você empresário: Investe em tecnologias sustentáveis? Cria espaços para os funcionários se conscientizarem das questões ambientais? Cumpre a legislação ambiental?
Terminamos este artigo com uma pequena reflexão de Madre Tereza de Calcutá: “Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.”
Carol Manzoli Palma e Francisco Saccomano Neto, advogados, mestrandos em Direito Ambiental pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP e consultores ambientais.
(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)





sergio claro buonamici, 2 anos atrás
Carol e Francisco vcs estão impecáveis. Parabéns pelo artigo que desperta a necessidade de maior conscientização e empenho de cada um de nós na construção de um planeta melhor social e ambientalmente.
Carlos Alberto Arraes, 2 anos atrás
Carol e Francisco, de fato, se cada um de nõs não nos mobilizarmos e não mudarmos de atitude, adotando gestos simples de preservação e acima de tudo cobrando nossos governantes para o cumprimento das leis, mas de forma severa, evitando-se de se fazer tantos TACs e TACs, o que afunda a lei e deixa o infrator da lei, tão impune quantos os politicos que roubam o povo na luz do dia e na frente das camaras, e nada acontecem a estes.
Mas a natureza está dando o troco, uma vez que na lei do homem, existem tantas brechas e facilitações dadas ao amigo do rei, do empresário, do politico, etc,
Se o ser humando não mudar o quanto antes o seu consumismo e o desrespeito a lei da natureza, ele vai simplesmente a cada dia escrevendo suas ultimas paginas no livro da especie humana.
Por mais uma vez os lideres mundiais se reunem para fazer turismo, gastam fortunas durante dias e nada decidem de prático, pois nenhum desses lideres aceitam assumir a responsabilidade que cabe a cada pais, jogando a culpa uns aos outros e nada trazendo de panorama inovador para de fato muda a situação a curto prazo, pois a longo prazo, questiona-se SERÁ QUE VAI DAR TEMPO, será que ainda vai sobra alqguem para contar a estória, com tanta destruição que o homem vem causando ao embiente natural.
Isso inclue a todos, e não apenas a classe dos governantes, empresários e politicos.
Carlos Alberto Arraes
Advogado e Consultor Ambiental