Não ao substitutivo do Código Florestal
Da Redação em 29 junho, 2010
Tuite
Em defesa do meio ambiente brasileiro e da produção de alimentos saudáveis.
No último dia 09 de junho de 2010, o Dep. Federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) apresentou o seu relatório à Comissão Especial, criada na Câmara dos Deputados, para analisar o Projeto de Lei nº. 1876/99 e outras propostas de mudanças no Código Florestal e na Legislação Ambiental brasileira. O referido relatório, de mais de 250 páginas, apresenta a proposta de substituição do Código Florestal (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965).
Apesar de ser de 1965, o Código Florestal é bastante atual, pois está baseado em uma série de princípios que respondem às principais preocupações em torno do uso sustentável do meio ambiente.
Nesse sentido, as entidades populares, agrárias e ambientalistas, reconhecendo a necessidade de atualizar as leis, sempre defenderam o aperfeiçoamento do Código Florestal, especialmente para adequá-lo à realidade da agricultura familiar e camponesa. Há a concreta necessidade de se criar regulamentações que possibilitem ao Código atender às especificidades da agricultura familiar. Além disto, é essencial uma série de políticas públicas de fomento, crédito, assistência técnica, agroindustrialização e comercialização, as quais garantirão o uso sustentável das áreas de reserva legal e proteção permanente.
Estas mudanças, no entanto, são muito distintas das propostas no Projeto de Lei (PL). Isso porque, segundo cálculos de algumas entidades da área ambiental, a aplicação do mesmo resultará na emissão entre 25 bilhões a 30 bilhões de toneladas de gás carbônico só na Amazônia. Isso representa em torno de seis vezes a redução estimada de emissões por desmatamento que o Brasil estabeleceu como meta. Consequentemente, esta emissão impediria o país de cumprir esta meta assumida na conferência do clima de Copenhague.
Podemos afirmar que todo o texto do Projeto de Lei é insatisfatório, privilegiando exclusivamente os desejos das forças mais arcaicas do Brasil: os latifundiários. Dentre os principais pontos crítico do PL, podemos citar:: anistia completa aos desmatadores; a abolição da Reserva Legal para agricultura familiar; a possibilidade de compensação desta Reserva fora da região ou da bacia hidrográfica; e a transferência do arbítrio ambiental para os Estados e Municípios.
Primeiro, de acordo com o substitutivo, a responsabilidade de regulamentação ambiental passará para os estados. É fundamental entendermos que os biomas e rios não estão restritos aos limites de um ou dois Estados, portanto, não é possível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação dos mesmos. Por outro lado, esta estadualização representa, na prática, uma flexibilização da legislação, pois segundo o próprio texto, há a possibilidade de redução das áreas de Preservação Permanentes em até a metade se o estado assim o entender.
Em segundo lugar, o Projeto acaba por anistiar todos os produtores rurais que cometeram crimes ambientais até 22 de julho de 2008. Os desmatadores que descumpriram o Código Florestal terão cinco (5) anos para se ajustar à nova legislação, sendo que os mesmos não poderão ser multados neste período de moratória e ficam também cancelados embargos e termos de compromisso assinados por produtores rurais por derrubadas ilegais. A recuperação dessas áreas deverá ser feita no longínquo prazo de 30 anos!
Em terceiro lugar, o Projeto desobriga a manutenção de Reserva Legal para propriedades até quatro (4) módulos fiscais, as quais representam em torno de 90% dos imóveis rurais no Brasil. Essa isenção significa, por exemplo, que imóveis de até 400 hectares podem ser totalmente desmatados na Amazônia – já que cada módulo fiscal tem 100 hectares na região –, o que poderá representar o desmatamento de aproximadamente 85 milhões de hectares. É fundamental entendermos que a Constituição Federal estabeleceu a Reserva Legal a partir do princípio de que florestas, o meio ambiente e o patrimônio genético são interesses difusos, pertencente ao mesmo tempo a todos e a cada cidadão brasileiro indistintamente. E é fundamental ter claro que nenhum movimento social do campo apresentou como proposta essa abolição da RL, sempre discutindo sobre a redução de seu tamanho (percentagem da área total, principalmente na Amazônia) ou sobre formas sustentáveis de exploração e sistemas simplificados de autorização para essa atividade.
Ainda sobre a Reserva Legal, o texto estabelece que, nos casos em que a mesma deve ser mantida, a compensação poderá ser feita fora da região ou bacia hidrográfica. Além disso, esta recomposição poderá ser feita por meio do plantio de espécies exóticas. Isso significa que a supressão de vegetação nativa pode ser compensada, por exemplo, por monoculturas de eucaliptos, pinus, ou qualquer outra espécie, descaracterizando o bioma e empobrecendo a biodiversidade.
O Projeto de Lei traz ainda uma conseqüência nefasta, ou seja, a anistia dos desmatadores ou a isenção em respeitar o mínimo florestal por propriedade, destrói a possibilidade de desapropriação daquelas propriedades que não cumprem a sua função ambiental ou sócio-ambiental, conforme preceitua a Constituição Federal em seu art. 186, II.
Em um momento onde toda a humanidade está consciente da crise ambiental planetária e lutando por mudanças concretas na postura dos países, onde o próprio Brasil assume uma posição de defesa das questões ecológicas nacionais e globais, é totalmente inadmissível que retrocedamos em uma legislação tão importante como o Código Florestal. É inaceitável que uma legislação de 1965 seja mais moderna, ética e preocupada com o futuro da sociedade brasileira do que uma proposta de 2010.
A proposta do deputado Aldo Rebelo atenta violentamente contra a sua história de engajamento e dedicação às questões da sociedade brasileira. Ao defender um falso nacionalismo, o senhor deputado entrega as florestas brasileiras aos grandes latifundiários e à expansão desenfreada do agronegócio. Ao buscar combater supostas influencias de ONGs internacionais, se esquece que na realidade que é internacional é o agronegócio brasileiro, subordinado ao capital financeiro estrangeiro e às transnacionais do setor agropecurário e agroquímico. A sua postura em defesa do agronegócio o coloca imediatamente contrário à agricultura camponesa e familiar, a qual diz defender.
Por isso, nós, intelectuais, artistas e organizações sociais abaixo-assinadas, exigimos a total rejeição do Projeto de Lei de autoria do deputado Aldo Rebelo.
VIA CAMPESINA
MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS SEM TERRA
MPA – MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES
MMC – MOVIMENTO DAS MULHERES CAMPONESAS
FETRAF – FEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA FAMILIAR
CIMI – CENTRO INDIGENÍSTA MISSIONÁRIO
CPT – COMISSÃO PASTORAL DA TERRA
CNASI – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DOS SERVIDORES DO INCRA
IDPV – INSTITUTO O DIREITO POR UM PLANETA VERDE
Com informações do Instituto Planeta Verde.





amarildo porto araujo, 1 ano atrás
a respeito de modulos – quem disse ou escreveu que na amazonia todos os modulos fiscais sao de 100 hec/ er un tremendo mentiroso, aqui no [ap] nao tem un modulo de 100 hec.
amarildo porto araujo, 1 ano atrás
sou a favor da anistia [ sim ] hoge na amaz. quase todo mundo desmata de forma clandestina, estamos com a oportunidade nas máos para trazer-mos todo este pessoal p/ a legalidade.
amarildo porto araujo, 1 ano atrás
compensaçao fora da bacia-veja-mos no [ap] hoge comforme, IN 06 MMA, o agricultor poderar desmatar, e ficar isento de reposiçao, deste que comsuma a materia- prima florestal dentro de sua propriedade [ calculos] 1 hec, na amaz, produz 300 cubicos de madeira de serraria/ no minimo 500 cubicos de lenha + 25 ton. de biomassa por hec,todo ano er permitido ao pequeno agricultor desmatar 3 hec = 2.400 cubicos de madei- e lenha e+75 ton,de biomassa.pergunta vcs sabem o que o agricultor faz com esta riqueza. pasmen [ queiman tudo e transforma em cinzas] ele nao dar conta de consumir, se vender quen comprar er obrigado por lei federal, a repor. ninquem quer repor entao vem com isso o comercio ilegal de materia prima florestal na amaz,imaginen que o oipoque a macapa tem uma distancia de 600 klm se eu conprar materia -prima por la posso sim fazer a reposiçao aqui no munic, de mazagao a 40 klm numa area com o mesmo bioma.[ pergunta na amazonia pode desmatar 20% da proprie, se eu fizer reposiçao so de nativa eu vou ficar 50 anos esperando esta arvore ficar pronta p/ corte p/ que eu possa comercializa-la p/ sobreviver? se eu puder como estamos fazendo no [ap] em camaras tecnicas proposta de legislaçao ambiental, facultando ao agricultor até 4 modulos a fazer a reposiçao florestal com especies preferencialmente nativa ?] exemplos açai, manga, laranja, especies oleoginosas,palmaseas,especies de curto ciclo p/ geraçao de energia ou carvao, nos diferentes de vcs que nao moram na amaz, e querem dar pitago em nossas vidas deveriam vim passar por aqui pelo ao menos uns 2 anos p/ depois formularem propostas. participo de 2 camaras tecnicas/ florestal – energias renovaveis, sou vice-presidente do conselho municipal de meio ambiente de macapa,[ CODEMA] presido o [IFR INSTITUTO DE FLORESTAS TROPICAIS E RECURSOS RENOVAVEIS DA AMAZONIA ] E ESTAMOS A CRIAR 16 SINDICADOS DA AGRICULTURA FAMILIAR e +1 federaçao dos mesmos, faço o tribuna ambiemtal un programa que discute so este tipo de assunto que aliás estou licen, do mesmo pela lei eleitoral e somos tambem socios fundadores do forun economico florestal do amapa composto de 28 instituiçoes do setor acho que basta de referençias espero que tenha contribuido con alguma coisa desculpe a franqueza em alguns assuntos.
heliades sousaa rocha, 1 ano atrás
gostei muito desta materia pois eu preciso saber mais sobre o codigo florestal brasileiro. Sou academica de engenharia florestal e me ajudou muito esclarecer certas duvidas sobre esse assunto. Muito obrigado.