USP-Direito: MPF quer rapidez na organização da biblioteca
Da Redação em 28 março, 2010
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O Ministério Público Federal recomendou ao diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Antonio Magalhães Gomes Filho, que providencie imediatamente o organização do acervo que se encontra depositado no novo prédio da biblioteca, na rua Senador Feijó (o anexo IV da sede da faculdade, no Largo São Francisco).
É necessário que seja feito o imediato desempilhamento e a abertura de todas as caixas contendo livros, que lá estão. Se houver falta de espaço para desempilhar os livros no local, que as caixas excedentes retornem imediatamente às salas de onde foram retiradas e que continuam vazias.
Em ofício, o MPF requereu à Faculdade de Direito uma série de documentos e informações sobre a mudança de parte do acervo e sobre o novo prédio, recém desapropriado.
O MPF quer que seja dada à reorganização dos livros o mesmo regime de urgência adotado para a mudança, com contratação de pessoal, trabalho de fim de semana e todas as providências necessárias para cessar o atual estado de risco em que se encontram os livros e garantir o acesso do público ao acervo.
Após vistoria realizada em 24/03, foi constatado que o acervo transportado, de cerca de 160 mil volumes, está em condições inadequadas. Os livros não foram acondicionados de forma a protegê-los, as caixas não são resistentes a seu peso e encontram-se empilhadas de forma inadequada, lesionando o patrimônio. Para o MPF, a mudança foi feita de forma inapropriada.
Mudança
Durante o fim de semana e feriado de 25 de janeiro, a faculdade promoveu a mudança do acervo sem participação dos funcionários das bibliotecas e sem os cuidados necessários a este tipo de bem, público e cultural.
A empresa contratada para transportar e realizar a mudança também não teve nenhum cuidado para acondicionar os volumes, revelando o evidente despreparo para tal tarefa. As caixas utilizadas para fazer o armazenamento e transporte do acervo não suportam o peso de seu interior, estando várias delas rasgadas e amassadas. Tais caixas encontram-se atualmente empilhadas, forçando o peso das superiores sobre as inferiores, as quais não estão resistindo.
A ausência de identificação das caixas por prateleiras dificulta a reorganização do imenso volume de livros. A falta de programação e participação dos bibliotecários na mudança também colabora para atrasar a reorganização, o que impede o acesso aos livros pelos estudantes e pesquisadores por prazo indeterminado.
Foi afirmado pela equipe da biblioteca que a previsão para a finalização dos trabalhos e normalização do acesso ao acervo, por parte dos alunos e público em geral, não acontecerá antes de maio, prejudicando assim trabalhos de monografia, pós-graduações, mestrados e livre docência.
Para a procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins, autora da recomendação, a atual situação dos livros demonstra a necessidade imediata de providências para que sejam corrigidas as irregularidades. “A Biblioteca da Faculdade de Direito da USP é uma das mais preciosas bibliotecas do país. E grande parte dela encontra-se no momento em situação periclitante”, afirma.
Criada em 1825, a biblioteca da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foi a primeira biblioteca pública do estado de São Paulo, inaugurada antes mesmo do surgimento da faculdade e mais de cem anos antes de a instituição ter sido a primeira a integrar a Universidade de São Paulo, em 1934. Com informações do MPF.




