Dória e as janelas quebradas

em 18 January, 2017


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Artigo de Thaís Cíntia Cárnio.

Neste mês, o atual prefeito de São Paulo e sua política de zeladoria urbana tem sido assunto constante na mídia e nas redes sociais. Vestido de gari, pedreiro e afins, João Dória iniciou o programa Cidade Limpa, que busca a limpeza dos espaços públicos, de pichações, poda de árvores, dentre outras ações de cuidado com a cidade. Há quem elogie, há quem critique. Geralmente, as críticas se fundamentam no apelo midiático da vestimenta do prefeito e na necessidade de se pensar em tantos outros problemas que São Paulo apresenta. Será que esse cuidado é realmente tão superficial assim?

No final da década de 60, Philip Zimbardo, psicólogo da Universidade de Stanford, realizou a seguinte experiência: deixou dois carros abandonados em bairros de Nova Iorque. Um estava localizado na periferia, ou outro, em região nobre. O primeiro foi rapidamente vandalizado, enquanto o segundo manteve-se intacto. O pesquisador, continuando o experimento, quebrou as janelas do carro deixado no bairro nobre. Pouco tempo depois, o veículo também foi depredado.

Com base nessa observação, James Wilson e George Kelling, criminalistas de Harvard, desenvolveram a Teoria das Janelas Quebradas. Assim, se a janela de um edifício for quebrada e não reparada, a tendência é que haja mais depredação. Essa teoria foi utilizada para uma importante mudança de postura na cidade de Nova Iorque, que aliou política de segurança pública, combatendo crimes menores, com a limpeza do patrimônio público, apagando rapidamente pichações, por exemplo. A cidade foi transformada.

O vácuo do Estado traz a sensação de que o bem público é terra de ninguém, e pode ser pichado, pode-se jogar lixo para todos os lados, pode-se quebrar o que der vontade. E não importa o nível social, essa percepção se espalha por todos os bolsos.

A zeladoria, por si só, não resolve todos os incontáveis problemas de São Paulo. Mas pode ser um começo, caso se olhe além dessa superfície. Isso pode ser feito. Deu certo em Nova Iorque, pode dar certo aqui. Se Dória tem essa visão e competência para alcançá-la, é o que veremos com tempo.

Thaís Cíntia Cárnio, professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.




2 Comentarios

  1. Richard, 8 mêss atrás

    É isso! Artigo não tendencioso que focou exatamente o espírito da coisa toda. Oportunidade de um zelador/administrador/político que quer massacrar a imagem da esquerda impotente e construir a imagem de uma possível presidência da direita. São regulações políticas que deveriam partir do eleitorado, mas que o acaso trouxe à São Paulo em muito boa hora! Força Doria! São Paulo conta contigo!

  2. Ricardo Nery, 6 mêss atrás

    Excelente artigo.. As pessoas precisam ver que boas ações políticas independem de virem de políticos de direita ou de esquerda. De nascer pobre ou em berço de ouro.. Ser político deve ser também gerir a coisa pública, honrar o voto e o imposto de todos os cidadãos. Cuidar de todos e não apenas de um pequeno grupo barulhento invariavelmente mais politizado. Sou e moro em Salvador, mas desejo todo sucesso do mundo ao Prefeito Dória e que ele melhore a vida dos que moram nessa grande cidade..


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